Imagine a cena:

Uma família, num país frio, 600 anos atrás, com 95% da população mundial vivendo na zona rural, sem geladeira, sem água encanada, sem eletricidade e sem veículos rápidos para se locomover. Temperatura de até – 15 C. Ou seja, qualquer descuido é perigo de morte. A família em questão já havia trabalhado durante todo o verão, colhido a maior quantidade possível de grãos e mantimentos, lenha e proventos para suportar um inverno que não se saberia quanto tempo poderia durar. Poderia ser mais longo que o normal, 30, 40, 60 dias além do tempo do inverno anterior. Quem poderia saber? Não havia meteorologia.

Neste cenário, qualquer punhado de milho, qualquer medida de feijão, qualquer braçada de lenha poderia ser vital para a sobrevivência da família. Se acabasse a comida e o inverno continuasse, onde conseguir mais mantimentos? Não dava pra “ir ali no mercadinho” comprar comida. E cada família tinha que se preocupar em sobreviver, assim que se explica em parte a “frieza e individualidade” dos povos de regiões mais frias. Se alguém doasse ou emprestasse seus víveres para o pessoal do sítio vizinho, que foi menos cuidadoso e menos prevenido, isto podia custar a vida de seus próprios filhos.

Neste cenário, quem ADMINISTRASSE melhor seus alimentos e aquecimento tinha melhores condições de sobreviver. Isto foi criando, na mentalidade e na cultura destes povos a necessidade de ser mais calculista e por consequência ter uma vivência mais administrativa de seus pertences e recursos. Por outro lado, nesta mesma época, nos países quentes, onde o risco de morte era muito menos eminente, as pessoas poderiam viver com menos tensão e mais tranquilidade, sabendo que se o alimento faltasse, poderiam ir até uma floresta, caçar um animal, colher frutos, ou encontrar raízes como mandiocas e similares que poderiam matar sua fome. Não era simples, mas bem menos arriscado do que no exemplo da primeira família.

Assim temos uma possibilidade de explicar o porque da diferença do nível de desenvolvimento entre os países mais desenvolvidos e aqueles com economias menos adiantadas. A diferença pode estar na VIVÊNCIA E NECESSIDADE DE ADMINISTRAÇÃO, que foi moldando e educando os povos, uns mais no sentido de “contar centavos e cuidar de cada detalhe” e outros mais no sentido de “não se preocupar tanto, deixar acontecer para ver o que fazer, mais no improviso” .

Isto pode ser possível durante muitos séculos, mas hoje sabemos que num mundo competitivo e organizado, este tipo de mentalidade dificilmente poderá conduzir a bons resultados. Tenho visto muitas pessoas até ganhando muito dinheiro, mas perdendo também muitos recursos e a PAZ, por não ter CONTROLE sobre seus processos e sobre sua PRODUÇÃO, seja ela de produtos físicos ou mesmo de serviços. Há uma URGÊNCIA em se ADMINISTRAR com competência e ter controle sobre os processos internos das empresas, Hoje o INVERNO EMPRESARIAL é PERMANENTE, e o verão das tranquilidades não dá sinais de que um dia vá voltar. A ADMINISTRAÇÃO moderna é aquela que INTEGRA todos os setores e departamentos da empresa, PLANEJA e prevê a maior parte das dificuldades e recursos necessários para atravessar o inverno constante. Administrar, e administrar bem, é hoje uma tarefa essencial para, não só sobreviver no mercado, mas também desfrutar de bem estar e segurança na vida empreendedora!